Comecei a ouvir Grunge por causa de Super Mario 64 (e os mistérios do algoritmo social)
No dia 10 de março, é celebrado o Dia do Mario (nos Estados Unidos: March 10th → Mar, 10 → Mar10 → Mario). Até a própria Nintendo surfou na onda e começou a utilizar o dia, ou o mês inteiro, para fazer eventos comemorativos e promoções em suas lojas. Mais um dos casos onde uma ideia criada pelos fãs é abraçada pela produtora.
Era março de 2023. Apesar da celebração ter começado havia quase uma década, foi quando finalmente aderi ao movimento do meu jeitinho – minha famigerada Mariotona. Isto é, eu tiro o mês de março inteiro para jogar jogos do bigodudo e ter aquela boa dose de nostalgia.
Eu sempre rejogava os jogos 2D, pois eram os que tive mais contato. Entretanto, eram jogos curtos. Em duas semanas, já havia finalizado todos os jogos do Nintendinho e do Super Nintendo. Ainda havia a outra metade do mês pela frente. Foi então que pensei: “por que não jogar algo ‘novo’?”.
Apesar de ter jogado um pouquinho de Nintendo 64 na casa do meu primo quando criança, e depois ter revisitado em emuladores quando adolescente, nunca havia pegado as 120 estrelas de Super Mario 64. Pois bem, desafio aceito: essa seria a minha meta até o final daquele mês.
Missão cumprida! Com muito esforço e evitando utilizar save states ao máximo, coletei todas as 120 estrelas e me senti realizado pessoalmente por mais uma vez. Dessa forma, encerrei o mês e a minha Mariotona de 2023 com chave de ouro.
Como pós-crédito de cada jogo que eu finalizo, eu tenho o hábito de revisitar sua trilha sonora e me lembrar de momentos chave da história. Daqui, destaco Bowser’s Road. A bateria, o eco e os sintetizadores crescendo conforme você avança na fase já eram memoráveis desde a primeira vez que joguei. E, senhoras e senhores, é aqui que a nossa história realmente começa.
O algoritmo do YouTube é peculiar. Muitas vezes acusado de perpetuar discursos de ódio e enclausurar seus usuários em suas bolhas de conteúdo, sem expô-los a pensamentos opostos que apresentem um contraponto às suas ideias, esse algoritmo também pode entregar conteúdo bem aleatório, como uma música ou um meme postado há mais de 10 anos que, de repente, eles decidiram que era a hora certa de recomendar para milhões de usuários.
Em uma dessas recomendações, eu fui servido com a música Black Hole Sun, do Soundgarden, remixado com os efeitos sonoros da fase Dire Dire Docks, do Super Mario 64. Combinação esquisita que ficou extremamente boa! Uma melodia que, antes, era associada a nostalgia, melancolia e relaxamento, agora estava repaginada com depressão, cinismo e angústia.
A partir deste momento, a porteira se abriu. Começou a chover recomendações de remixes de Nirvana, Radiohead, Pixies, Soundgarden, Foo Fighters, Radiohead, etc no meu feed. E era um remix melhor do que o outro. Separei alguns dos meus favoritos aqui. Há muitos outros, mas eu vou deixar que o algoritmo do YouTube faça o trabalho de servi-los a você, assim como fizeram comigo ¯\_(ツ)_/¯
Super Mario 64 está no centro do imaginário dos jogadores há décadas. Desde rumores de um Luigi jogável (L is Real) – que ganhou força após o código-fonte do jogo ter sido vazado e constatado que seu modelo 3D estava lá, porém incompleto – a creepypastas, como “Every Super Mario 64 copy is personalized“.
Da década de 2020 para cá, ele também entrou nas discussões sobre espaços liminares e estética tropical dos jogos dos anos 1990 e 2000. Parando para pensar, a resposta para a suposta aleatoriedade do algoritmo do YouTube pode estar bem aí: o movimento musical grunge e a transição dos jogos eletrônicos do 2D para o 3D, que Super Mario 64 protagonizou, são características marcantes dos anos 1990.
A lógica deve ser simples: “Esta conta existe há quase 20 anos. Supondo que o dono tenha criado a conta quando adolescente ou adulto, ele deve ter nascido ou sido criado nos anos 1990. Esse usuário frequentemente pesquisa sobre músicas e jogos. Portanto, vamos recomendar conteúdo relacionado aos dois e que seja atribuído à época dele“.
Mistério resolvido? Não sei, mas o fato é que essas remixagens me incentivaram a explorar o repertório das músicas originais. Eu cresci ouvindo Punk e Nu Metal na adolescência. Porém, mesmo sendo “vizinhos”, nunca havia me aprofundado no Grunge. Pois então, o momento havia chegado e fui atrás das discografias do movimento e demais bandas que orbitavam o cenário nos anos 1990.
Se nos anos 2000, a moda retrô eram os anos 1970 e 1980, faz todo o sentido a moda retrô dos anos 2020 serem o que foi tendência 20 anos depois. Isso entrega a nossa idade e nos dá uma crise existencial, mas também nos dá a oportunidade de revisitar aquilo que não podemos explorar quando nosso passado era o presente.
Mas, e vocês? De que maneira o algoritmo das redes sociais impactaram a sua exploração na internet de forma aleatória, porém saudável?
Até a próxima o/
Extras
Esta música não tem nada de grunge (ou talvez tenha), mas ela possui graves ótimos e… não consigo “desouvir” Bowser’s Road dela. Não tenho como provar, mas essas meninas jogaram Super Mario 64 na infância. Fica a indicação!
Dire Dire Docks também recebeu um remix punk, bem ao estilo NOFX (a capa do vídeo é uma montagem com o álbum Punk in Drublic deles), que ficou incrível. Pena que é curtinho…













